Mounjaro (tirzepatida): efeitos colaterais, saúde mental e cuidados em pessoas com comorbidades

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Ilustração editorial de consulta sobre saúde integral, com referências à alimentação, hidratação e saúde mental.

O que se sabe sobre a segurança da tirzepatida e quais cuidados considerar diante de transtornos psiquiátricos, alimentares ou por uso de substâncias.

O Mounjaro, nome comercial da tirzepatida, ganhou notoriedade pelos resultados no controle da glicemia e na redução do peso. Mas a popularização do medicamento, sobretudo para emagrecimento, também trouxe dúvidas sobre segurança, indicação e acompanhamento — especialmente para pessoas que convivem com condições psiquiátricas, transtornos alimentares ou histórico de uso problemático de substâncias.

A tirzepatida atua nos receptores dos hormônios GIP e GLP-1, envolvidos na regulação da glicose, do apetite e da saciedade. Entre seus efeitos estão o aumento da resposta insulinotrópica dependente da glicose, o esvaziamento gástrico mais lento e a redução da ingestão alimentar.

No Brasil, a Anvisa aprovou o Mounjaro para o tratamento do diabetes tipo 2 e, em junho de 2025, ampliou a indicação para o controle crônico do peso em adultos que atendam aos critérios clínicos estabelecidos. Essa aprovação não significa que o medicamento possa ser usado indiscriminadamente ou apenas por razões estéticas.

Anvisa: nova indicação terapêutica

Para avaliar o tratamento com responsabilidade, é importante separar três aspectos: os efeitos farmacológicos conhecidos, os riscos indiretos ligados às condições clínicas e comportamentais de cada pessoa e as hipóteses que ainda não foram confirmadas por pesquisas.

Efeitos colaterais e sinais de alerta

Os efeitos adversos mais comuns da tirzepatida são gastrointestinais: náuseas, vômitos, diarreia, constipação, dor abdominal, indigestão e diminuição do apetite. Eles podem aparecer principalmente no início do tratamento ou durante o aumento da dose. Embora muitas vezes sejam transitórios, não devem ser ignorados.

Vômitos persistentes, pouca ingestão de líquidos e alimentação insuficiente podem levar à desidratação, a alterações metabólicas e ao comprometimento da função renal. Esses riscos podem ser mais relevantes para quem já enfrenta dificuldades alimentares, faz uso de outras substâncias ou tem doenças concomitantes. Há também eventos menos frequentes, mas potencialmente graves, como pancreatite aguda, problemas na vesícula biliar e reações alérgicas importantes. A hipoglicemia merece atenção especial quando a tirzepatida é usada junto com insulina ou sulfonilureias.

O medicamento também retarda o esvaziamento gástrico. A bula oficial norte-americana alerta que esse efeito pode influenciar a absorção de medicamentos orais. A relevância depende do fármaco específico; não se deve presumir que todos os psicofármacos sejam afetados da mesma forma. Em fevereiro de 2026, a Anvisa reforçou o alerta sobre casos de pancreatite aguda associados a agonistas do receptor GLP-1 e destacou a importância do uso conforme a indicação aprovada e com acompanhamento profissional.

Alerta da Anvisa |

Bula do Mounjaro — DailyMed

Dor abdominal intensa e persistente — sobretudo se irradiar para as costas —, vômitos contínuos, incapacidade de ingerir líquidos, sinais importantes de desidratação ou sintomas de reação alérgica grave exigem avaliação médica imediata.

O que as pesquisas dizem sobre Mounjaro e saúde mental?

A relação entre medicamentos que atuam nos sistemas incretínicos e saúde mental precisa ser interpretada com cuidado. Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2025 na revista JAMA Psychiatry, que reuniu 80 ensaios clínicos randomizados e 107.860 participantes, não encontrou aumento estatisticamente significativo de eventos adversos psiquiátricos graves ou não graves entre pessoas tratadas com agonistas do receptor GLP-1 e aquelas que receberam placebo. A análise também identificou resultados favoráveis em alguns indicadores de qualidade de vida e comportamento alimentar.

Em janeiro de 2026, a agência reguladora norte-americana FDA informou que sua avaliação abrangente não identificou aumento do risco de ideação ou comportamento suicida associado aos agonistas de GLP-1. A agência solicitou a retirada de advertências específicas sobre esse risco das bulas dos produtos que ainda as continham, incluindo o Zepbound, outra marca de tirzepatida.

Esses resultados são tranquilizadores, mas não respondem a todas as perguntas. Os estudos analisaram diferentes medicamentos da classe, portanto seus resultados não podem ser atribuídos automaticamente à tirzepatida. Além disso, pessoas com transtornos psiquiátricos graves, ativos ou instáveis foram excluídas ou pouco representadas em muitas pesquisas. E a ausência de um aumento estatístico de eventos em um grupo estudado não significa que uma mudança clínica individual seja impossível.

Até o momento, as evidências não sustentam a afirmação de que o Mounjaro provoque diretamente depressão, ansiedade ou comportamento suicida. Ainda assim, comorbidades psiquiátricas, transtornos alimentares e uso problemático de substâncias justificam avaliação e acompanhamento individualizados.

JAMA Psychiatry, 2025 |

FDA, 13 jan. 2026

Comorbidades exigem avaliação individual

Transtorno por uso de substâncias

O transtorno por uso de substâncias (TUS) envolve mecanismos de recompensa, aprendizagem, motivação, impulsividade e controle do comportamento. Conforme a substância e a gravidade do quadro, também pode estar associado a alimentação irregular, desidratação, alterações do sono, desnutrição e doenças hepáticas, pancreáticas ou cardiovasculares.

Não há evidência clínica robusta de que a tirzepatida provoque recaídas, aumente diretamente a compulsão pelo uso de drogas ou agrave o TUS. Por outro lado, ainda faltam dados para afirmar que a segurança seja igual em todos os grupos, inclusive entre pessoas com dependência ativa. Nesse contexto, náuseas, vômitos e redução do apetite podem agravar vulnerabilidades já existentes. O histórico de consumo intenso de álcool, pancreatite ou doença hepática, por exemplo, merece avaliação cuidadosa. Isso não significa que haja uma interação específica comprovada entre a tirzepatida e todas as substâncias, mas que o quadro clínico como um todo pode modificar os riscos.

Também é importante revisar os medicamentos usados para tratar a dependência e outras condições. Como o esvaziamento gástrico pode ser retardado, o profissional deve avaliar se esse efeito é relevante para os medicamentos orais específicos utilizados.

Há pesquisas em andamento sobre o possível papel dos agonistas de GLP-1 nos circuitos cerebrais relacionados à recompensa e ao consumo. Um ensaio publicado em 2025 investigou semaglutida em adultos com transtorno por uso de álcool e observou redução de alguns indicadores de consumo intenso e desejo de beber. Outro, publicado em julho de 2026, avaliou semaglutida oral e encontrou redução em determinados indicadores, embora nem todos os desfechos principais tenham melhorado de forma significativa. Já uma revisão sistemática e metanálise de cinco ensaios clínicos, com 764 participantes, não encontrou efeito estatisticamente significativo na análise conjunta dos principais indicadores de abstinência de álcool ou consumo de tabaco avaliados.

Os resultados, portanto, não são uniformes. Além disso, estudos com semaglutida não comprovam a mesma eficácia para tirzepatida; as pesquisas sobre cocaína, opioides, cannabis e outras substâncias são ainda mais limitadas. O Mounjaro não é tratamento estabelecido para dependência química e não deve ser usado por conta própria para controlar fissura, reduzir o consumo ou prevenir recaídas. O tratamento do TUS deve seguir uma avaliação especializada e pode incluir intervenções psicossociais e medicamentos apropriados.

Ensaio sobre semaglutida e uso de álcool, 2025 |

Ensaio sobre semaglutida oral, 2026 |

Revisão sistemática, 2026

Transtorno de personalidade borderline

O transtorno de personalidade borderline pode envolver dificuldades de regulação emocional, impulsividade, instabilidade nos relacionamentos e alterações na percepção de si. Algumas pessoas também convivem com transtornos alimentares, uso problemático de substâncias ou sofrimento relacionado à imagem corporal.

Não há evidência científica robusta de que a tirzepatida provoque ou agrave diretamente o transtorno borderline, nem dados suficientes para afirmar que o diagnóstico, por si só, aumente o risco farmacológico. O cuidado está em compreender o contexto da busca pelo medicamento: pode haver uma indicação metabólica legítima, um transtorno alimentar, uma tentativa de aliviar sofrimento emocional ou uma combinação desses fatores.

Mudanças físicas significativas podem ser vividas de diferentes maneiras por quem tem dificuldades de autoimagem. Isso não demonstra que a tirzepatida cause instabilidade emocional, mas reforça a importância de acompanhar o bem-estar psicológico. O diagnóstico, isoladamente, não é uma contraindicação automática: a decisão depende da indicação, da estabilidade clínica, das condições associadas e da possibilidade de manter o acompanhamento.

TDAH e medicamentos que reduzem o apetite

O TDAH pode envolver desatenção, impulsividade e dificuldades de planejamento e organização. Isso não significa que a pessoa seja incapaz de seguir um tratamento, mas pode ser necessário criar estratégias práticas para organizar refeições, hidratação, horários e rotina.

Um ponto de atenção é o uso concomitante de medicamentos para TDAH que também podem diminuir o apetite, como alguns estimulantes. A associação com tirzepatida não é automaticamente contraindicada, mas, quando ambos reduzem a fome, pode ficar mais difícil manter uma alimentação regular e suficiente. Em certas situações, isso pode contribuir para ingestão inadequada, perda excessiva de peso, fraqueza ou insuficiência de nutrientes.

A possibilidade de o esvaziamento gástrico retardado afetar a absorção de medicamentos orais também deve ser considerada caso a caso. Isso não comprova interação clinicamente relevante com todos os tratamentos para TDAH; o médico ou farmacêutico pode avaliar a medicação específica e a necessidade de monitoramento.

Ansiedade social e sofrimento com a imagem corporal

A ansiedade social envolve medo intenso de ser observado, julgado ou humilhado e pode levar à esquiva de situações sociais e a prejuízos na vida cotidiana. Não há evidência robusta de que a tirzepatida provoque fobia social ou agrave diretamente o transtorno, nem de que seja um tratamento para ansiedade social.

Para algumas pessoas, o emagrecimento pode ficar associado à expectativa de ser mais aceito, evitar julgamentos ou resolver dificuldades emocionais. Se essas expectativas forem rígidas ou irreais, a mudança no peso talvez não produza a melhora subjetiva esperada. Persistir o medo de avaliação negativa ou a insatisfação corporal não significa que a pessoa precise emagrecer mais; pode ser necessário avaliar o sofrimento psicológico e a relação com a própria aparência. A ligação causal entre tirzepatida e agravamento da ansiedade social não está estabelecida.

No transtorno dismórfico corporal (TDC), a pessoa pode ter uma preocupação persistente com defeitos percebidos na aparência — inexistentes ou pouco perceptíveis para outras pessoas. Checagem repetitiva, comparação constante, busca reiterada por procedimentos estéticos e prejuízo no cotidiano podem fazer parte do quadro. Nesse contexto, mudanças corporais significativas podem não resolver a preocupação central; ela pode se deslocar para outra característica física.

Isso pode criar riscos comportamentais, como insistir em perder peso, pedir aumentos de dose sem justificativa clínica ou recorrer a produtos e procedimentos não autorizados. Mas é importante não confundir hipótese com fato: não está comprovado que a tirzepatida cause TDC. Um resumo científico apresentado em 2025 observou diagnósticos de TDC entre usuários de agonistas de GLP-1, com frequência elevada de depressão e transtornos alimentares nesse grupo. Por ser um estudo observacional apresentado como resumo de congresso, não demonstra causalidade nem prova aumento do risco individual ou um efeito específico da tirzepatida.

Resumo no Journal of the Endocrine Society, 2025

Transtornos alimentares

Anorexia, bulimia e compulsão alimentar pedem atenção específica porque a redução do apetite e da ingestão de alimentos pode afetar diretamente o quadro. Em pessoas com anorexia ou bulimia acompanhada de restrição acentuada, a supressão do apetite pode reforçar comportamentos perigosos. Restrição, vômitos, desidratação ou outros comportamentos compensatórios podem comprometer o estado nutricional e agravar complicações clínicas.

No transtorno de compulsão alimentar, as pesquisas sobre agonistas de GLP-1 ainda estão em desenvolvimento. Há sinais de possíveis benefícios em alguns comportamentos, mas as evidências não permitem considerar a tirzepatida um tratamento estabelecido para todos os transtornos alimentares. Revisões e recomendações clínicas publicadas em 2026 apontam lacunas de conhecimento e ressaltam a importância de investigar sintomas atuais e anteriores, monitorar os riscos e integrar intervenções psicológicas quando indicadas.

Por isso, a avaliação não deve se limitar ao peso ou ao índice de massa corporal. É importante considerar restrição alimentar, compulsão, purgação, medo intenso de engordar e outros comportamentos que possam alterar o equilíbrio entre benefícios e riscos.

Revisão de escopo, 2026 |

Recomendações clínicas, 2026

Depressão, transtorno bipolar e outros quadros

Para pessoas com depressão, ansiedade grave, transtorno bipolar, esquizofrenia ou outras condições psiquiátricas, é importante considerar a estabilidade do quadro, os tratamentos em curso e possíveis mudanças na alimentação, no sono e na rotina. Não há evidência suficiente para afirmar que a tirzepatida provoque diretamente mania, psicose ou descompensação dessas condições. Ao mesmo tempo, a falta de dados específicos impede generalizar os resultados dos ensaios para todas as pessoas com quadros graves ou instáveis.

Um estudo observacional publicado em abril de 2026 no periódico The Lancet Psychiatry avaliou pessoas com diabetes e diagnóstico de depressão ou ansiedade na Suécia. O uso de semaglutida foi associado a menor risco de agravamento de alguns indicadores de saúde mental; também foram observados resultados favoráveis para determinados desfechos com liraglutida. Esses achados não demonstram que a tirzepatida produza os mesmos efeitos nem podem ser generalizados para todos os agonistas de GLP-1 ou todos os transtornos psiquiátricos.

Mudanças persistentes de humor, sono, energia, impulsividade, comportamento alimentar ou funcionamento cotidiano merecem avaliação — sem presumir, antes de investigar, que tenham sido causadas pelo medicamento.

The Lancet Psychiatry, 2026

O que essas situações têm em comum?

Apesar das diferenças entre as condições, algumas perguntas são importantes em qualquer avaliação. A primeira é por que a pessoa está buscando o medicamento: existe uma indicação clínica para tratar diabetes ou controlar o peso, ou a decisão está ligada principalmente à pressão estética, ao sofrimento emocional ou a comportamentos alimentares disfuncionais?

Também é necessário acompanhar a alimentação e a hidratação. A redução do apetite pode fazer parte do efeito esperado, mas se torna preocupante quando leva à ingestão insuficiente ou reforça uma restrição perigosa. A equipe deve ainda revisar os medicamentos em uso, incluindo antidepressivos, estabilizadores do humor, antipsicóticos, estimulantes e tratamentos para dependência, e avaliar interações e monitoramento conforme cada caso.

Por fim, um sintoma que aparece durante o tratamento precisa ser investigado, mas a coincidência no tempo não prova que o medicamento seja a causa. O uso sem prescrição ou acompanhamento pode dificultar a identificação de complicações e favorecer aumentos de dose ou a continuidade do tratamento mesmo diante de sinais de alerta.

A importância do acompanhamento integrado

O cuidado deve olhar para a pessoa como um todo, não apenas para o peso ou os exames. O médico avalia a indicação, possíveis contraindicações, dose, efeitos adversos e doenças concomitantes. O acompanhamento nutricional pode ajudar a prevenir ingestão insuficiente de energia, proteínas, vitaminas, minerais e líquidos, além de contribuir para a preservação da massa muscular e para uma alimentação adequada.

Quando há transtorno por uso de substâncias, a equipe pode considerar o padrão de consumo, a estabilidade clínica, o estado nutricional, os medicamentos utilizados e a continuidade do tratamento específico da dependência. Quando existem condições psiquiátricas ou comportamentos alimentares disfuncionais, profissionais de saúde mental podem ajudar a reconhecer mudanças relevantes e oferecer suporte. O objetivo não é presumir que o medicamento causará uma descompensação, mas acompanhar o tratamento de acordo com as necessidades individuais.

Nem todas as pessoas precisam da mesma frequência de consultas ou da mesma equipe. Ainda assim, em situações clínicas mais complexas, a comunicação entre os profissionais pode ser especialmente útil. Periodicamente, também é importante avaliar se os benefícios continuam superando os riscos e se o tratamento permanece adequado à indicação.

Quando procurar ajuda

Converse com um profissional de saúde se surgirem piora persistente da ansiedade ou da tristeza, perda de interesse, alterações marcantes de sono, energia ou impulsividade, restrição alimentar excessiva, medo intenso de ganhar peso, comportamentos compensatórios, perda de peso excessiva, piora do consumo de substâncias ou dificuldade para manter o tratamento da dependência. Vômitos persistentes, incapacidade de ingerir líquidos, sinais de desidratação ou dor abdominal intensa e persistente também precisam de avaliação.

Pensamentos suicidas, risco de autoagressão ou alterações comportamentais que indiquem perigo imediato exigem atendimento de urgência. Não reduza, substitua ou suspenda por conta própria medicamentos psiquiátricos por ter iniciado o Mounjaro, emagrecido ou notado sintomas: qualquer mudança deve ser discutida com os profissionais responsáveis.

Conclusão

A tirzepatida representa uma opção terapêutica importante para pessoas com indicação apropriada, mas sua eficácia no controle glicêmico e na redução do peso não elimina a necessidade de avaliar riscos individuais e considerar a saúde mental.

As evidências atuais não permitem afirmar que o Mounjaro agrave diretamente o transtorno por uso de substâncias, o borderline, o TDAH, a ansiedade social, o transtorno dismórfico corporal ou outros transtornos psiquiátricos específicos. Para várias dessas condições, a principal limitação é a falta de pesquisas diretamente aplicáveis. Ainda assim, há motivos concretos para acompanhamento: redução excessiva da ingestão alimentar, desidratação, possíveis alterações na absorção de medicamentos orais, vulnerabilidades psicológicas preexistentes e o risco de reforçar comportamentos disfuncionais relacionados ao emagrecimento.

As pesquisas sobre agonistas de GLP-1 e dependência química são promissoras, mas ainda não justificam recomendar a tirzepatida como tratamento estabelecido para o TUS. A conduta responsável não é demonizar o medicamento nem presumir que seja adequado para todas as pessoas: é avaliar a indicação, as comorbidades, os tratamentos concomitantes e a possibilidade de acompanhamento clínico.

O objetivo do tratamento não deve ser apenas emagrecer, mas promover saúde, funcionalidade e qualidade de vida com segurança. Peso é apenas uma dimensão da saúde; alimentação, comportamento, história clínica e sofrimento psicológico também importam.

Referências científicas e regulatórias

  1. Anvisa. Mounjaro (tirzepatida): nova indicação terapêutica para controle crônico do peso, 2025.
    Publicação oficial.
  2. Anvisa. Alerta sobre risco de pancreatite aguda associado ao uso indevido de canetas emagrecedoras, 2026.
    Publicação oficial.
  3. National Library of Medicine — DailyMed. Mounjaro (tirzepatida): informações oficiais de prescrição.
    Bula em inglês.
  4. JAMA Psychiatry. Glucagon-Like Peptide 1 Receptor Agonists and Mental Health: A Systematic Review and Meta-Analysis, 2025.
    Artigo científico.
  5. FDA. Avaliação sobre ideação e comportamento suicida associados aos agonistas do receptor GLP-1, 13 de janeiro de 2026.
    Comunicado oficial.
  6. Hendershot CS et al. Once-Weekly Semaglutide in Adults With Alcohol Use Disorder: A Randomized Clinical Trial. JAMA Psychiatry, 2025.
    Artigo científico.
  7. Schacht JP et al. Oral Semaglutide for Alcohol Use Disorder: A Randomized Clinical Trial. American Journal of Psychiatry, 2026.
    Artigo científico.
  8. Systematic Review and Meta-Analysis Evaluating the Role of GLP-1 Receptor Agonists in Substance Use Disorders, 2026.
    Registro bibliográfico e resumo.
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    Resumo científico.
  10. Taipale H et al. Association between GLP-1 receptor agonist use and worsening mental illness in people with depression and anxiety in Sweden: a national cohort study. The Lancet Psychiatry, 2026;13(4):327–335.
    Artigo científico.
  11. Journal of Eating Disorders. A scoping review on weight loss injections and eating disorders: therapeutic impact, risks of misuse, and emerging harms, 2026.
    Artigo científico.
  12. Journal of Eating Disorders. Recomendações clínicas baseadas em consenso para uso de agonistas de GLP-1 em pessoas com transtornos alimentares, 2026.
    Registro bibliográfico.

Nota: este artigo tem finalidade informativa e não substitui avaliação médica ou psiquiátrica. A indicação, a continuidade, o ajuste e a eventual interrupção do tratamento devem ser individualizados e conduzidos por profissionais habilitados.

Fim da leituraEducaDQ · conhecimento, ética e humanidade

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