Categoria: Editoriais

Posicionamentos, reflexões e leituras do EducaDQ sobre educação, cuidado, ética e transformação social.

  • A adicção, a recuperação e o presente de cada 24 horas

    Um olhar pessoal sobre autoconhecimento, irmandade e a possibilidade de transformar a dor em caminho de crescimento.

    Editorial | EducaDQ — Centro de Formação e Estudos sobre Álcool e Outras Drogas

    Por Antonio Conforti, terapeuta

    Texto original escrito em 18 de maio de 2023. Atualizado em 21 de outubro de 2026.

    Quando compreendi que a doença da adicção — tantas vezes colocada, de forma equivocada, na vala comum da expressão “dependência química” — não era uma maldição, mas uma bênção na minha vida, o caminho da recuperação ficou mais leve, mais agradável e mais prazeroso.

    Não escrevo isso como uma regra para todos. Escrevo porque é o que sinto e porque essa é a maneira como enxergo a minha própria história. Para mim, a adicção se tornou uma oportunidade acelerada de evolução. Quando compreendemos, nos rendemos e entramos em recuperação, começamos uma jornada profunda de autoconhecimento e transformação.

    Acredito que o remédio que estabiliza a adicção é o trabalho que fazemos sobre nós mesmos: olhar para dentro, reconhecer nossas atitudes e nos empenhar para nos tornarmos seres humanos melhores. A recuperação nos convida a refletir sobre o dia que passou — sobre nossas escolhas, conquistas e falhas — para que possamos aprender e não repetir aquilo que nos faz mal ou fere outra pessoa.

    Às vezes penso: como seria bom se todos os seres humanos tivessem a oportunidade de fazer essa reflexão diária. Como seria bom se todos pudessem contar com uma irmandade, um espaço para desabafar e se reconhecer no outro sem preconceitos, diante de pessoas que compartilham experiências e desejam melhorar como seres humanos, guiadas pela empatia e pelo amor.

    A irmandade, os princípios que orientam a recuperação e a disposição de viver um dia de cada vez me ensinaram a importância de olhar para mim com honestidade e, ao mesmo tempo, reconhecer humanidade nos outros. É nesse encontro — com meus iguais e comigo mesmo — que encontro força para continuar mudando.

    Viveríamos em um mundo bem melhor.

    Obrigado, meu Poder Superior, pelo presente que é a adicção e pela possibilidade de viver em recuperação.

    Mais 24 horas de serena sobriedade a todos.

    Edit 1 – Continuar, apesar das dificuldades

    Com todas as dificuldades e com as pessoas sem princípios que, por vezes, cruzam meu caminho; com a falta de honra, profissionalismo e compromisso que encontro em algumas situações no meio de quem trabalha com dependência química, eu não desisto.

    Não trabalho em busca de reconhecimento ou aplausos. Trabalho para recuperar vidas. E não importa se esse trabalho acontece da janela do meu computador, em uma conversa na rua, por telefone ou por aplicativos de mensagens; em uma clínica ou em uma comunidade terapêutica, em um espaço simples ou mais estruturado. Em cada oportunidade, procuro oferecer o meu melhor aos meus iguais.

    Faço isso orientado pelos princípios que norteiam a minha recuperação. Antes de ser terapeuta, sou um ser humano como qualquer outro. Carrego dentro de mim a mesma doença que nos nivela. Não sou melhor nem pior do que ninguém: sou apenas um ser humano, em recuperação, tentando fazer a minha parte.

    Edit 2 — 40 semanas depois

    Vale a pena viver em sobriedade. A recuperação pode nos levar a caminhos que nunca sonhamos trilhar.

    Edit 3 — 21 de outubro de 2026

    Hoje, ao voltar a este texto, reafirmo tudo o que escrevi. Fico feliz em reencontrar essa linha de raciocínio que me mantém em sobriedade há anos e que me permite, agora, editar este conteúdo para publicá-lo no site do EducaDQ.

    Espero que esta mensagem de fé, força e esperança alcance cada vez mais pessoas. Que possa lembrar a quem estiver no caminho da recuperação que vale a pena continuar, um dia e 24 horas de cada vez.

    Mais 24 horas de serena sobriedade.

  • Psicose associada à cocaína: reconhecer a crise é o primeiro passo para cuidar

    Alucinações, paranoia, delírios e agitação intensa podem sinalizar uma complicação psiquiátrica grave. Informação sem estigma, atendimento oportuno e continuidade do cuidado são fundamentais — tanto para atravessar a crise quanto para reduzir o risco de novos episódios.

    Editorial | EducaDQ — Centro de Formação e Estudos sobre Álcool e Outras Drogas

    A cocaína pode alterar profundamente a percepção, o pensamento e o comportamento. Em alguns casos, a intoxicação é acompanhada por alucinações, paranoia ou convicções persecutórias. Quando isso acontece, não estamos diante de uma simples mudança de humor ou de uma pessoa “fora de si”: pode haver uma emergência médica e psiquiátrica que exige avaliação profissional.

    Falar sobre psicose associada à cocaína requer dois cuidados. O primeiro é não banalizar os sinais nem adiar a procura por ajuda. O segundo é não reduzir a pessoa à crise, culpá-la pelo adoecimento ou presumir que um episódio significa, por si só, um diagnóstico definitivo de esquizofrenia. A resposta responsável combina segurança, cuidado clínico, respeito à dignidade e atenção ao uso de substâncias que pode estar na origem ou no agravamento do quadro.

    O que pode acontecer durante uma crise

    A cocaína é um estimulante do sistema nervoso central. Seus efeitos envolvem sistemas cerebrais ligados à dopamina e a outros neurotransmissores e podem afetar o humor, a atenção, o sono, a percepção e o comportamento. A sensação inicial de euforia ou energia pode ser acompanhada por ansiedade intensa, irritabilidade, agitação e desconfiança.

    Em algumas circunstâncias, surgem sintomas psicóticos. A pessoa pode ouvir vozes, ver figuras ou movimentos que não estão presentes, interpretar situações comuns como ameaças ou acreditar firmemente que está sendo perseguida, espionada ou atacada. Na literatura clínica, essas manifestações podem fazer parte de um transtorno psicótico induzido por substância, mas a avaliação e o diagnóstico cabem a profissionais habilitados.

    Uma manifestação descrita após o uso de cocaína é a formicação: a sensação tátil de que pequenos insetos ou outros agentes estão caminhando sob a pele, sem um estímulo externo correspondente. O sofrimento pode ser intenso e levar a pessoa a coçar, arranhar ou ferir a própria pele na tentativa de remover aquilo que sente.

    Juan Juan e Saiz de la Hoya Zamácola, 2018

    Delírios persecutórios podem fazer a pessoa sentir-se em perigo e agir para se proteger, fugir ou confrontar alguém. Isso não significa que toda pessoa em psicose se torne agressiva. Significa que o medo, a confusão e a dificuldade de interpretar o que acontece podem criar riscos que precisam ser avaliados com cuidado.

    Agitação psicomotora, fala acelerada, hipervigilância, confusão e dificuldade para organizar pensamentos também podem ocorrer. Uma alteração importante da atenção ou da consciência pode indicar delirium ou outra emergência médica, e não deve ser atribuída automaticamente à cocaína sem avaliação. Outras substâncias e condições clínicas podem produzir sintomas semelhantes.

    Nem toda pessoa que usa cocaína desenvolverá psicose. E a ocorrência de sintomas psicóticos durante ou após o consumo não determina, por si só, que a pessoa tenha esquizofrenia ou outro transtorno psicótico primário. A relação temporal com a substância é relevante, mas não substitui uma avaliação completa da história clínica e da evolução dos sintomas.

    Tang, Martin e Cotes, 2014

    Não é preciso esperar anos de consumo

    A psicose associada à cocaína não acontece somente depois de muitos anos de uso. Sintomas podem surgir durante episódios de intoxicação, inclusive em períodos de uso intenso ou repetido. A quantidade e a frequência do consumo são importantes, mas não explicam sozinhas quem terá uma crise.

    Revisões científicas apontam fatores associados a maior vulnerabilidade, como idade de início e duração do consumo, quantidade utilizada, via de administração, privação de sono, uso de outras substâncias e histórico pessoal ou familiar de sintomas psicóticos. Algumas pesquisas também observaram associações com condições como TDAH e transtorno de personalidade antissocial. Essas relações são possíveis fatores de risco, não previsões individuais: ter um diagnóstico ou histórico familiar não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá psicose.

    Roncero et al., 2012

    Roncero et al., 2014

    A privação de sono merece atenção. Longos períodos sem dormir, que podem acompanhar episódios de consumo repetido, prejudicam a atenção, a regulação emocional e o funcionamento cognitivo. Combinada a estimulantes e a outras substâncias, a falta de sono pode tornar a situação ainda mais complexa.

    Esses fatores ajudam a compreender a vulnerabilidade, mas não autorizam uma leitura determinista. Não há como prever com certeza, apenas com base neles, quem terá sintomas psicóticos.

    Quanto tempo dura e o que se sabe sobre a evolução

    Não existe uma duração única para a psicose associada à cocaína. Em algumas pessoas, os sintomas diminuem conforme a intoxicação se resolve e o cuidado adequado é iniciado. Em outras, podem persistir por dias ou mais tempo e exigir acompanhamento médico e psiquiátrico. A evolução depende, entre outros fatores, da gravidade do episódio, do padrão de consumo, da privação de sono, de outras substâncias e das condições clínicas e psiquiátricas da pessoa.

    Uma melhora inicial não elimina a necessidade de acompanhamento. Sintomas podem reaparecer em novos episódios de consumo, e manifestações que persistem após a intoxicação exigem investigação de outras causas, incluindo transtornos psicóticos primários e condições médicas. Não se deve, porém, esperar vários dias para procurar ajuda diante de alucinações, paranoia intensa, confusão ou agitação importante.

    Uma revisão sistemática publicada em 2026 na revista Schizophrenia Research analisou 27 estudos, com aproximadamente 33.500 pessoas com transtornos psicóticos induzidos por diferentes substâncias. Os períodos de acompanhamento variaram de um mês a 15,5 anos. Os autores encontraram trajetórias diversas: algumas pessoas tiveram remissão, enquanto outras apresentaram sintomas persistentes ou evolução para quadros psicóticos crônicos. Sintomas negativos mais proeminentes e funcionamento prévio comprometido estiveram entre os fatores associados a evolução menos favorável.

    Essa revisão não estudou apenas psicose induzida por cocaína. Seus resultados não permitem calcular a probabilidade individual de uma pessoa com psicose cocaínica desenvolver esquizofrenia. A conclusão prudente é que a persistência dos sintomas precisa ser investigada e acompanhada — não que toda crise cause dano cerebral permanente ou leve a um transtorno crônico.

    Ricci et al., 2026

    Diferenciar não é rotular

    Psicose induzida pela cocaína e esquizofrenia podem compartilhar sintomas, como alucinações, delírios e desorganização do pensamento. Para diferenciá-las, profissionais consideram quando os sintomas começaram, como se relacionam com o consumo e o que acontece após a interrupção, além do histórico de saúde mental e do funcionamento anterior da pessoa.

    O uso de cocaína pode coexistir com um transtorno psiquiátrico anterior, assim como sintomas iniciados durante um episódio de consumo podem exigir acompanhamento para esclarecer sua evolução. Por isso, não é adequado concluir que todo sintoma se deve exclusivamente à droga — nem atribuir automaticamente um transtorno psicótico primário a alguém que teve uma crise após usar cocaína. A avaliação pode precisar ser longitudinal, acompanhando a pessoa ao longo do tempo.

    Esse cuidado com o diagnóstico não deve servir de motivo para adiar atendimento. Pelo contrário: avaliar cedo ajuda a tratar a crise, investigar possíveis causas e evitar que sofrimento ou riscos imediatos sejam ignorados.

    Quando a prioridade é a emergência

    Uma crise relacionada à cocaína pode envolver riscos psiquiátricos e físicos. A intoxicação por estimulantes pode estar associada a taquicardia, aumento perigoso da pressão arterial, dor no peito, temperatura corporal muito elevada, convulsões e outras complicações potencialmente fatais. Confusão, psicose, risco de suicídio ou comportamento que coloque alguém em perigo também podem exigir avaliação urgente.

    A diretriz clínica conjunta da American Society of Addiction Medicine (ASAM) e da American Academy of Addiction Psychiatry (AAAP), publicada em 2024, recomenda avaliar a gravidade e as complicações médicas e psiquiátricas. Para profissionais, a diretriz orienta estratégias de desescalada verbal e não verbal, avaliação médica e de saúde mental e tratamento clínico apropriado. A medicação para agitação ou psicose deve ser decidida e administrada por profissionais, conforme a situação — não por familiares ou conhecidos.

    Diretriz ASAM/AAAP, 2024

    No Brasil, o SAMU pode ser acionado pelo 192 em situações de urgência e emergência. O serviço é gratuito, funciona 24 horas e pode orientar quem liga e enviar atendimento conforme a avaliação da central. Também é possível procurar uma UPA 24 horas ou um pronto-socorro, de acordo com a gravidade. Dor no peito, dificuldade para respirar, convulsões, temperatura muito elevada, perda de consciência ou perigo imediato exigem ajuda sem demora.

    Ministério da Saúde — SAMU 192

    Enquanto a ajuda é providenciada, priorize a segurança. Se for seguro, mantenha o ambiente mais calmo, reduza ruídos e o número de pessoas ao redor e fale de forma clara e tranquila. Evite discutir agressivamente sobre delírios, ameaçar, provocar ou fazer movimentos bruscos. É possível reconhecer o medo da pessoa sem confirmar como verdadeira uma perseguição imaginada: “Vejo que você está assustado. Vamos procurar ajuda para que fique em segurança”.

    Não tente conter fisicamente a pessoa nem administrar sedativos, antipsicóticos ou outros medicamentos por conta própria. Não permita que alguém desorientado ou intoxicado dirija. Se houver arma, risco de agressão ou qualquer situação que ameace a segurança, afaste-se se necessário e chame ajuda profissional. As orientações de familiares não substituem a avaliação e a intervenção de equipes de emergência.

    A crise precisa de cuidado depois que passa

    O atendimento não deve se encerrar necessariamente quando os sintomas agudos diminuem. Para reduzir o risco de novos episódios, é importante avaliar também o padrão de consumo, suas consequências, as condições de saúde física e mental e as circunstâncias sociais que afetam a continuidade do cuidado.

    O transtorno por uso de cocaína pode envolver perda de controle, desejo intenso de consumir e continuidade do uso apesar de consequências negativas. Após a estabilização, a equipe pode organizar acompanhamento psiquiátrico, tratamento para o uso de substâncias, intervenções psicossociais e apoio à família. As opções dependem de uma avaliação individual e dos recursos disponíveis. Comorbidades, como transtornos de humor, ansiedade, TDAH e transtornos psicóticos, devem ser consideradas sem presumir que todas as dificuldades se expliquem pelo uso da droga.

    A diretriz ASAM/AAAP recomenda cuidado que considere necessidades médicas e psiquiátricas associadas e intervenções com respaldo científico. Sempre que possível, o atendimento deve ser coordenado entre os profissionais e serviços envolvidos, para que a crise aguda não seja tratada de forma isolada do restante da vida da pessoa.

    No SUS, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) acolhem pessoas em intenso sofrimento psíquico e oferecem acompanhamento multiprofissional. Os CAPS AD são voltados a situações relacionadas ao uso prejudicial de álcool e outras drogas. O acesso pode ocorrer por procura direta, sem necessidade de encaminhamento para o primeiro acolhimento; a disponibilidade e a modalidade dos serviços variam conforme o município. Unidades Básicas de Saúde também podem orientar sobre a rede local.

    Ministério da Saúde — CAPS

    UPAs e prontos-socorros atendem situações agudas; o SAMU 192 pode ser acionado quando há uma emergência que exige atendimento pré-hospitalar. Os Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) oferecem orientação sobre intoxicações, mas contatos e serviços variam por região.

    Ministério da Saúde — CIATox

    Grupos de ajuda mútua podem compor uma rede de apoio, mas não substituem avaliação médica durante uma crise psicótica nem tratamento especializado quando necessário. O Disque 188, do Centro de Valorização da Vida (CVV), oferece apoio emocional; não é serviço toxicológico nem de emergência médica. Em psicose aguda ou perigo imediato, a prioridade é o SAMU 192 ou um serviço de urgência.

    Cuidar também é combater o estigma

    Informar sobre os riscos da cocaína não significa tratar a dependência como falha moral ou resumir a pessoa a um comportamento. Psicose é uma experiência que pode causar medo e sofrimento e requer cuidado especializado. A resposta deve preservar a segurança sem apagar a dignidade de quem precisa de ajuda.

    Familiares, educadores e profissionais podem contribuir quando reconhecem alterações importantes de percepção, delírios persecutórios, confusão ou agitação intensa e sabem que esses sinais justificam encaminhamento. Conhecimento técnico não substitui atendimento especializado, mas pode reduzir atrasos, evitar atitudes que agravem a crise e facilitar o acesso à rede de saúde.

    A posição do EducaDQ é clara: psicose associada à cocaína não deve ser banalizada, mas a pessoa que a vivencia também não deve ser reduzida ao diagnóstico ou ao uso de drogas. Reconhecer os sinais, buscar assistência em tempo oportuno e garantir acompanhamento depois da crise são passos essenciais para proteger a saúde e abrir possibilidades de recuperação. Informação confiável, acolhimento sem estigma e acesso a serviços preparados para cuidar precisam caminhar juntos.

    Referências científicas e institucionais

    1. Sabe M, Zhao N, Kaiser S. “A systematic review and meta-analysis of the prevalence of cocaine-induced psychosis in cocaine users.” Progress in Neuro-Psychopharmacology & Biological Psychiatry. 2021;109:110263. DOI: 10.1016/j.pnpbp.2021.110263.

    2. Tang YL, Martin NL, Cotes RO. “Cocaine-induced psychotic disorders: presentation, mechanism, and management.” Journal of Dual Diagnosis. 2014. DOI: 10.1080/15504263.2014.906133.

    3. Roncero C et al. “An international perspective and review of cocaine-induced psychosis: a call to action.” Substance Abuse. 2014;35(3):321–327. DOI: 10.1080/08897077.2014.933726.

    4. Ricci V et al. “From substance-induced psychosis to schizophrenia: Predictors of treatment response and transition to chronic psychotic illness — a systematic review.” Schizophrenia Research. 2026;295:292–316. DOI: 10.1016/j.schres.2026.02.022.

    5. ASAM/AAAP. The ASAM/AAAP Clinical Practice Guideline on the Management of Stimulant Use Disorder. 2024. Texto integral.

    6. Ministério da Saúde. Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Informações oficiais.

    7. Ministério da Saúde. Serviço de Atendimento Móvel de Urgência — SAMU 192. Informações oficiais.

    8. Ministério da Saúde. Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox). Informações oficiais.

    9. Roncero C, Ros-Cucurull E, Daigre C, Casas M. “Prevalence and risk factors of psychotic symptoms in cocaine-dependent patients.” Actas Españolas de Psiquiatría. 2012;40(4):187–197. PubMed.

    10. Juan Juan C, Saiz de la Hoya Zamácola P. “Prickling or Formication after the use of cocaine.” Revista Española de Sanidad Penitenciaria. 2018;20(2):70–72. Texto integral.

    Editorial de divulgação científica do EducaDQ. O conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica ou psiquiátrica. Diante de sintomas psicóticos agudos, intoxicação grave ou risco imediato, procure atendimento de emergência.

  • PROFISSIONAIS DE SAÚDE MENTAL DEVEM TER UM LADO:

    O DO SER HUMANO.

    Quando o sofrimento humano entra em conflito com interesses políticos, ideologias ou disputas de poder, é a nossa ética que deve orientar nossas escolhas.

    Nosso compromisso é com a vida, a dignidade humana, os direitos dos pacientes e o acesso a um atendimento digno, responsável e fundamentado em evidências científicas.

    Não podemos fechar os olhos para a falta de vagas, ignorar famílias desesperadas, naturalizar filas intermináveis ou defender políticas públicas sem avaliar seus resultados na vida real.

    A ética profissional exige responsabilidade, coerência, pensamento crítico e coragem para reconhecer falhas, questionar estruturas e cobrar soluções, independentemente de quem esteja no poder.

    Se uma política funciona, devemos reconhecer. Se falha, precisamos apontar. Se faltam recursos, devemos cobrar. Se existem práticas inadequadas, temos o dever de enfrentá-las.

    Pacientes não são instrumentos de disputas ideológicas. São seres humanos que merecem respeito, cuidado e oportunidades reais de recuperação.

    Quem trabalha na saúde mental precisa estudar, ouvir diferentes perspectivas e defender aquilo que efetivamente contribui para o bem-estar humano. Nossa lealdade profissional deve ser orientada pela ética, pela ciência, pela dignidade humana e pelo compromisso com aqueles que precisam de ajuda.

    Antes de defender uma bandeira, precisamos olhar nos olhos de quem sofre. Antes de repetir um discurso, precisamos conhecer a realidade. Antes de julgar, precisamos compreender. E antes de exigir que os outros pensem como nós, precisamos desenvolver a capacidade de pensar por nós mesmos.

    A saúde mental não pode ser refém de disputas políticas. A ética não pode ser seletiva. E o sofrimento humano não pode ser ignorado quando contraria nossas convicções.

    Que nunca nos faltem conhecimento para compreender, ética para decidir, coragem para questionar e humanidade para cuidar.

    Antonio Conforti | EducaDQ

    Aqui formamos pensadores, não seguidores.

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